Webinar “Saúde Global e Coletiva: o que isso significa na prática?”
No dia 3 de julho, o BRICS Policy Center (BPC/PUC-Rio) realizou o webinar Saúde Global e Coletiva: o que isso significa na prática?, marcando o lançamento oficial do Programa de Pesquisa Saúde Global e Coletiva. A iniciativa inaugura uma nova agenda de pesquisa dedicada à análise crítica da governança global da saúde, com especial atenção às contribuições do Sul Global, às dinâmicas de cooperação internacional e às interfaces entre saúde, desenvolvimento e justiça social.
O debate reuniu Carolina Salgado, professora do Instituto de Relações Internacionais e coordenadora do Programa de Pesquisa Saúde Global e Coletiva no BPC/PUC-Rio; Marco Nascimento, Vice-Presidente Adjunto de Produção e Inovação em Saúde e Secretário Executivo Assistente da Coalizão Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo; e Pedro Villardi, Coordenador do Setor Saúde da Internacional de Serviços Públicos Interamérica. Partindo da pergunta que deu título ao webinar, os participantes discutiram os significados práticos da articulação entre saúde global e saúde coletiva.
O ponto de partida comum foi a agenda de produção e inovação em saúde, compreendida como um campo estratégico para enfrentar desigualdades estruturais no acesso a tecnologias, medicamentos, vacinas e demais insumos essenciais. Evidenciou-se que a produção local e regional em saúde não representa apenas uma estratégia industrial, mas também um instrumento de fortalecimento da soberania sanitária, da resiliência dos sistemas de saúde e da promoção da equidade em escala global.
A conversa destacou a crescente interdependência entre saúde, comércio e desenvolvimento. Nesse contexto, foram debatidos os desafios impostos pela estrutura atual da economia política internacional, especialmente no que se refere à concentração da capacidade produtiva, aos regimes de propriedade intelectual e às assimetrias que condicionam o acesso às tecnologias em saúde.
Os participantes ressaltaram que a construção de capacidades produtivas e científicas nos países do Sul Global – algo que vem ganhando escala no âmbito do BRICS – constitui elemento central para uma governança da saúde capaz de reduzir vulnerabilidades, em especial diante de crises sanitárias.
Outro eixo central do debate foi o papel das organizações internacionais e do multilateralismo na coordenação de respostas aos desafios globais em saúde. Os palestrantes refletiram sobre as oportunidades e limitações das instituições multilaterais diante de um cenário marcado por disputas geopolíticas, mudanças nos padrões de cooperação internacional e crescente demanda por mecanismos mais inclusivos de tomada de decisão.
Nesse sentido, a Coalizão Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo foi apresentada como exemplo positivo, em contraposição às difíceis negociações em torno do Acordo Global sobre Pandemias da OMS.
A discussão também ressaltou a contribuição do Sul Global para a formulação e difusão de novas normas, práticas e agendas na governança global da saúde. Longe de ocupar apenas uma posição de receptor de normas internacionais, países e instituições do Sul têm desempenhado papel ativo na construção de propostas voltadas à produção local e regional, ao compartilhamento de conhecimentos, à cooperação técnica e à defesa do acesso equitativo às tecnologias em saúde. Essas iniciativas refletem uma compreensão da saúde como bem público global e como direito humano, fortalecendo perspectivas alternativas para a cooperação internacional.
Ao promover um diálogo entre academia, gestão pública e representação sindical internacional, o evento ofereceu uma discussão aberta e informada sobre iniciativas concretas atualmente em curso na governança global da saúde, evidenciando que o acesso equitativo permanece como referência fundamental para o desenvolvimento destas formas inovadoras de cooperação internacional.
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