O presente policy brief analisa os Sistemas Setoriais de Inovação (SSI) em software no Brasil e na Índia, dois países emergentes onde o desenvolvimento de software se constitui numa atividade econômica de grande relevância. O objetivo é entender as trajetórias e elementos-chave de cada SSI e sugerir reflexões voltadas ao caso brasileiro. Evidencia-se que os modelos de desenvolvimento do setor de software são divergentes, principalmente no que diz respeito: 1) à natureza da demanda como fonte de conhecimento; 2) ao timing, intensidade e escopo das políticas públicas; e 3) aos modelos de negócio, processos de gestão e níveis de visibilidade das firmas.

 

A partir desta análise, argumenta-se que, embora os fatores do sucesso de cada SSI sejam fortemente idiossincráticos e não facilmente emuláveis em outros países emergentes, o caso indiano oferece alguns insights de políticas que podem servir de aprendizado ao desenvolvimento do setor de software no Brasil. Dentre tais insights, destacam-se: inserção internacional em segmaentos de serviços com maior valor agregado; competição externa orientada à consolidação de firmas domésticas nos mercados externos, em especial no âmbito regional e em arranjos voltados à integração e cooperação sul-sul; e exploração do mercado interno com o objetivo de desenvolver capacitações locais. Mais amplamente, a experiência indiana indica que o desempenho do setor de software em países emergentes se dá não apenas como resultado da ação governamental (ainda que as políticas públicas sejam essenciais), mas requer a combinação entre inserção geopolítica, características específicas do sistema de inovação e existência de agentes institucionais empreendedores capazes de explorar oportunidades na área de TI.


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